Falar no WhatsApp

Cliente que volta não deveria contar tudo de novo

Por Ramon Bral2 min de leitura

Tem um momento em que o cliente fiel percebe que não é tão fiel assim: quando volta e a pessoa do outro lado pergunta o nome dele. Ninguém reclama. Mas alguma coisa muda, e na próxima oferta mais barata a decisão de trocar fica mais fácil.

O que ele espera que você lembre

Menos do que parece. Ninguém espera que você lembre do aniversário da filha. A lista é curta:

  • Que ele já é cliente. Ser tratado como contato novo é o que mais incomoda.
  • O que ele fez da última vez, e mais ou menos quando.
  • O que ficou combinado e não fechou. O orçamento que ele não aprovou, a segunda etapa que ficou para depois.
  • Uma preferência clara, quando existe: horário, profissional, algo que ele não usa.

Fora disso, ele não espera nada. Lembrar demais chega a ser desconfortável.

Por que isso se perde

Não é falta de atenção. São três causas bem mecânicas.

O canal mudou. Ele falou pelo Instagram em janeiro e voltou pelo WhatsApp em setembro. Para a empresa, são dois contatos sem ligação nenhuma.

Quem atendeu mudou. A memória estava com a pessoa que saiu. Quem entrou não tem como saber.

Passou tempo demais. Serviço com intervalo de seis meses ou um ano é o pior caso. Ninguém lembra de nada, e o cliente lembra de tudo.

O que resolve

Não é treinar memória. É fazer o histórico aparecer sozinho quando o cliente volta.

Na prática, três coisas: o mesmo cliente reconhecido em qualquer canal, o histórico anterior visível sem rolar meses de conversa, e o combinado anotado, não só implícito nas mensagens. É o que eu construo quando faço um painel de clientes: uma ficha por pessoa, com tudo o que já aconteceu, aberta em um clique. No Grupo Lizardo, é isso que permite a qualquer pessoa do escritório atender um cliente antigo sem perguntar o que já foi feito.

Sem ferramenta, o substituto barato é conferir antes de responder: buscar o telefone na conversa antiga antes da primeira mensagem. Leva vinte segundos e resolve quase tudo com uma pessoa atendendo. Com duas, começa a falhar.

A frase que muda a percepção

Oi, Marcos, tudo bem? Vi aqui que a última vez foi a revisão em março. É para o mesmo carro?

Uma linha. Diz que você sabe quem ele é, mostra que existe registro e já elimina uma pergunta. O cliente percebe que o lugar é organizado sem ninguém precisar dizer isso.

Onde não vale o esforço

Em serviço que a pessoa contrata uma vez na vida, montar histórico não devolve nada. Em volume alto com valor baixo, também não: padaria não precisa de ficha de cliente.

Vale muito em serviço que se repete com intervalo longo, valor médio ou alto e mais de uma pessoa atendendo. Clínica, oficina, salão com pacote, escritório. É onde a memória falha, e onde o cliente mais nota a falha.

Quer a rotina da sua empresa num lugar só?

Mapeio o que vocês fazem todo dia e construo o painel com o que vocês usam de verdade.

Conversar pelo WhatsApp